
Finanças públicas:BPI apresenta estudoDívida já atinge 160,3 mil milhõesA dívida pública consolidada de Portugal já chega aos 160,3 mil milhões de euros, o que equivale a cem por cento do Produto Interno Bruto (PIB). As contas foram feitas pelo BPI e estão incluídas num estudo sobre as Finanças Públicas ontem apresentado pelo presidente do banco, Fernando Ulrich.
A projecção sobre o montante real da dívida é feita com base numa dívida directa do Estado que, segundo os parâmetros utilizados pelo BPI, chegou aos 132,5 mil milhões de euros (82,4% do PIB) no ano findo e que inclui a dívida do sector empresarial do Estado, dos municípios e das regiões autónomas.
Os economistas do banco traçam três cenários possíveis para o futuro, nos quais incluem os compromissos assumidos pelo Governo em matéria de concessões e parcerias público-privadas do Estado e conclui que, se as despesas e as receitas tiverem o mesmo comportamento da última década, a dívida pública ultrapassará os 120% do PIB em 2013.
Perante isto, o banco conclui que para a dívida pública estabilizar, a "economia terá de regressar a crescimentos do PIB real próximos dos 2,5%", obtendo, ao mesmo tempo, "saldos primários positivos na vizinhança dos 2%".
Face a isto, Fernando Ulrich não hesita em afirmar que "vão ter de ser feitas opções – se o ajustamento tem de ser todo feito do lado dos impostos, todo do lado dos investimentos ou numa mistura de várias coisas", embora rejeite apontar qual a solução mais viável.
"COMPROMISSO MUITO CEDO"
"Os investimentos públicos representam um compromisso muito grande muito cedo." O comentário partiu de Fernando Ulrich, que durante a apresentação do estudo do BPI sobre as Finanças Públicas se confessou "surpreso" com a dimensão dos investimentos previstos para Portugal. "Pensavam que seriam mais pequenos agora e que aumentariam com o tempo, afinal não estamos a deixar uma herança pesada aos nossos netos, nós é que vamos estar numa situação difícil", sublinhou o presidente do banco.
Ulrich mostrou-se particularmente "chocado" com a situação nas empresas públicas de transportes ferroviários e rodoviários. "Choca-me que os dez milhões de portugueses tenham de gastar tanto para tão pouco. Será que houve má gestão e desperdício?" Interrogou-se o banqueiro.
SAIBA MAIS
SITUAÇÃO
Do universo de 41 empresas que constituem a carteira de participações do Estado, apenas 15 são sustentáveis. Seis são previsivelmente sustentáveis (incluindo a RTP) e as restantes 20 não são sustentáveis. A TAP não entrou nas contas por pertencer à Parpública.
5136 M
A dívida remunerada líquida de disponibilidades da Refer atingia os 5136 milhões de euros no final de 2008. Uma situação que, aliada aos compromissos futuros, leva o BPI a considerar a empresa não-sustentável.
GRÉCIA
Fernando Ulrich não considera que Portugal chegue a uma situação semelhante àquela vivida na Grécia, país da União Europeia. O presidente do BPI acha que os portugueses são mais "rigorosos, sistemáticos e conscientes" do que os gregos.
de Sandra Rodrigues dos Santos