
Desejando calar os adversários políticos que acusam o partido de ser retrógrado e avesso às novas tecnologias por ter exigido uma comissão de inquérito ao computador Magalhães, o PSD apresentará em breve um computador próprio, que, à semelhança do orgulho informático de José Sócrates, também terá baixo custo, será de fácil utilização e continuará a funcionar depois de ensopado em leite com chocolate. Trata-se do Lopes, pequeno computador de cores garridas que, sem dúvida, será usado pela pequenada para preencher as horas de pausa entre utilizações dos seus computadores “adultos” com processadores e software complicados. À semelhança do que sucede com o Magalhães, resultante de uma parceria entre o Estado português e a Intel, também o Lopes será “filho” de uma parceria com uma empresa de prestígio internacional no ramo das tecnologias. A empresa escolhida foi a Microsueft, maior fabricante de calculadoras da província espanhola de Huelva, recentemente saída de um penoso processo judicial interposto por uma empresa americana, sendo injustamente forçada a adoptar a designação actual e a abandonar todas as referências ao nome anterior (Microsioft).
O projecto foi apresentado por José Pedro Aguiar Branco, líder parlamentar social-democrata, que confessou ter já em casa um protótipo do Lopes e ser o único computador que usa, assegurando que é suficiente para todas as suas necessidades informáticas. Dotado de um processador de calculadora científica de última geração, o novo computador será capaz de desempenhar todas as funções permitidas por um computador convencional, desde que esse computador apenas seja usado para executar operações matemáticas. A alimentação será feita com seis pilhas AA, permitindo uma utilização média de 27 minutos, podendo o Lopes ser também ligado a uma bateria de automóvel através de cabos não incluídos na embalagem.
Quanto ao nome escolhido, Aguiar Branco explica que se pretendeu homenagear Diogo Lopes de Sequeira, governador da Índia e primeiro português a navegar até Malaca, uma figura histórica pouco conhecida, mas que, ao contrário de Fernão de Magalhães, nunca se colocou ao serviço dos espanhóis. A designação terá sido proposta por um deputado e militante de relevo do PSD. Quando lhe foi perguntado se terá sido Santana Lopes e se a coincidência de apelidos não lhe parecia suspeita, Aguiar Branco reflectiu durante alguns segundos antes de atirar propositadamente uma caneta ao chão, baixando-se para a apanhar e gatinhando para fora da sala onde decorria a conferência de imprensa.
José Sócrates, primeiro-ministro e fã número um do Magalhães, considerou o Lopes um projecto ridículo e inútil, visando atribuir computadores com capacidades limitadas a crianças que, na sua maioria, já usam computadores com frequência, apenas para permitir a um partido vangloriar-se de promover as novas tecnologias com um produto supostamente português que, na verdade, terá muito pouco de nacional além do nome. A seguir, o primeiro-ministro foi atingido com uma cotovelada aplicada por um colaborador próximo, que o fez calar-se a tempo.
A Inépcia sabe que outros partidos preparam também as suas propostas tecnológicas. Entre as principais forças representadas no Parlamento, apenas o CDS não terá qualquer proposta, visto que a maioria dos seus militantes considera que a tecnologia resulta de um esforço conjunto de Satanás e Karl Marx. O PCP lançará na próxima Festa do Avante um revolucionário modelo de relógio de pulso digital de fabrico checoslovaco guardado na cave da sua sede desde 1984 e, antes disso, o Bloco Esquerda anunciará que Francisco Louçã é um andróide.
DaquiVIVA O LOPES.













