Esta seita de trânsfugas vindos de todas as direcções e origens “ideológicas”, que tomou de assalto o Partido Socialista, decidiu que a melhor forma de ocupar o espaço político deixado vago por um PSD, à época, em estado de coma, seria enfiar na gaveta a ideologia, talvez para fazer companhia ao defunto “socialismo” de Soares. O desprezo que têm pelo pensamento dos outros... ou pelo pensamento em si mesmo, embora tendo, infelizmente, resultados dramáticos para o país e para a democracia, leva por vezes a estórias perfeitamente caricatas que são bem o exemplo de como quem nos “governa” está convencido de que pode à vontade fazer passar os cidadãos por parvos. Apenas três exemplos com horas de vida:1. Durante o debate quinzenal na Assembleia da República, Sócrates vendia a informação de que o arguido no caso Freeport, Carlos Guerra teria apresentado o seu pedido de demissão do cargo público que exercia, o qual já teria sido aceite pelo Ministro da Agricultura, o mesmo Ministro, noutro local, poucos minutos antes, declarara que iria ainda falar com Carlos Guerra... e depois então decidiria.
2. Mais uma vez, o PS presenteia o país com uma estória de fundação que não se sabe bem o que é, onde basicamente, o governo anda “enrolado” com as operadoras privadas de telecomunicações, em parte incerta, com milhões de euros em circulação e tudo muito mal contado. Entretanto, o sempre tão claro Mário Lino já veio clarificar a situação, o que deixou tudo devidamente... pior!
3. Uma empresa em que o Estado tem uma "Golden Share", está disposta a pagar um preço acima dos valores de mercado, para garantir a compra de parte muito importante de uma estação de televisão ostensivamente hostil a Sócrates e ao Governo. Ok! Vamos partir do princípio “caridoso” de que isto não é uma manobra para “partir a espinha” à linha editorial da TVI. Quão estúpido tem um Governo que ser, para achar que os portugueses não vão pensar exactamente o contrário? Quão estúpido tem um Governo que ser, para achar que pode ficar bem nesta fotografia? Como é que não vê que é uma estória tão duvidosa que até Cavaco Silva vai conseguir perceber isso?
Não! Não é ignorância nem estupidez. É o efeito de muitos meses de decisões sem contraditório efectivo, de votações favoráveis garantidas, mesmo contra a oposição toda em peso. É o efeito avassalador das maiorias absolutas, que leva à facilidade, à irresponsabilidade, ao desprezo pelos “sinais”, à arrogância. Infelizmente para o PS, leva também e invariavelmente, à derrota!






