18 de janeiro de 2007

Passados 30 anos - O regresso às borradelas


Telas pintadas por mim
de Novembro de 2007 a Agosto de 2008.




Guitarra
Acrílico sobre tela


Flores - Pastel


Abraço
Acrílico sobre tela


Fruta - Pastel


Peixoca - Acrílico

Peixinho pintado por mim e pela minha mana
na entrada da vivenda da amiga Silvia.


Tridente
Acrílico sobre tela


Criança Árabe
Óleo sobre tela


Tio Sam
Óleo sobre tela


Ninfa
Óleo sobre tela

Casa da aldeia
Óleo sobre tela

Revolta
Acrílico sobre tela prensada

Descanso
Óleo sobre tela prensada

Músicos de cordas
Óleo sobre tela

Igreja do Povoado
Óleo sobre tela

Alentejo
Acrílico sobre tela

Beatles
Acrílico sobre tela

África
Óleo sobre tela

Asas do pensamento
Óleo sobre tela


"Queda de água"
óleo sobre tela



"Enigma"
óleo sobre tela


"Emoções"
acrilico sobre tela



"A forma e a reforma"
acrílico sobre tela


28 de dezembro de 2006

Carta ao BES


Exmos Senhores Administradores do BES

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os meses os senhores e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer produto adquirido (um pão, um remédio, uns litros de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do meu BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como, todo e qualquer outro serviço. Além disso, impõe-me taxas. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobraram-me preços de mercado. Assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.
Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobraram-me uma "taxa de abertura de crédito" - equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.
Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobraram-me uma "taxa de abertura de conta".
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos cobravam "por fora", o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos.
Agora ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro".
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobraram-me uma taxa de 1 EUR.
Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para a manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da rua".
A surpresa não acabou: descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".
Mas, os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações do v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc, etc, etc. e que apesar de lamentarem muito e nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal.
Sei disso.
Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais.
Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.


Vitor Pinheiro

21 de dezembro de 2006


Um dia o amor virou-se para a amizade e disse:
- Para que existes tu se já existo eu?
A amizade respondeu:
- Para repor um sorriso onde tu deixaste uma lágrima.

13 de novembro de 2006

Para o meu amigo Barbieri

No inicio dos anos noventa conheci o Barbieri, que alguns músicos amigos trouxeram do Aeroporto directamente para o Pé d'Água. Durante cerca de dois anos criamos uma amizade incomparável mas quando chegou a hora ele teve de regressar ao seu País de origem (Brasil).
A partir daí embora tenha voltado por um mês praticamente não sabemos noticias um do outro.
Um dia ele deu-me um poema e disse que gostaria que eu o musicasse. Durante estes anos todos nunca tive oportunidade de o fazer mas agora peguei-lhe mesmo e fiz a musica que está aqui no blog.
Não sei se ele algum dia a vai ouvir (é uma pessoa muito despegada destas coisas de informática), mas estou feliz porque cumpri o que prometi.
Um grande abraço Barbieri e que Deus te abençoe.
Luís

Completamente

Todas as partes de mim
entornaram-se em você
em nossa última noite
no mais inconcebível padedê

Penso em tudo o que houve
vejo que o meu folego não dá
p'ra desfilar de bons amigos
p'ra lá e p'ra cá

Junte o que sobrou de nós
varra tudo mas tente lembrar
o cesto é o olhar de quem quiz
nosso fim e só lhe fez chorar

Letra de Silvio Barbieri
Música de Gaspar Silva

27 de outubro de 2006

CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES


CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação. Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento. Desminta, se puder, o que passo a afirmar: 1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro. 2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L´Emploi en Europe 2003 , permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos? Que em média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa dos 12 países, com excepção da Espanha. As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países? 3º. Um dos slogans mais usados é do peso das despesas da saúde. A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458. Em Portugal esse gasto é . 758. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730, a Austria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc. Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público. A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas acertadas . O Senhor optou pelas piores. De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas: 1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades . Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patrão ). OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO! . Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento. E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos. Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década. Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem á sua política o ministro Campos e Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7.000 Euros de salário, os 8.000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6 anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte. 2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encantos, baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2. 3º Por outro lado, fala em austeridade de cátedra, e é apologista juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da implosão de uma torre ( Prédio Coutinho ) onde vivem mais de 300 pessoas. Quanto vão custar essas indemnizações, mais a indemnização milionária que pede o arquitecto que a construiu, além do derrube em si? 4º Por que não defende V. Exa a mesma implosão de uma outra torre, na Covilhã ( ver ' Correio da Manhã ' de 17/10/2005 ) , em tempos defendida pela Câmara, e que agora já não vai abaixo? Será porque o autor do projecto é o Arquitecto Fernando Pinto de Sousa, por acaso pai do Senhor Engenheiro, Primeiro Ministro deste país? ·
Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empresas privadas devem à Segurança Social ? ·
Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de Euros ? ·
Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significaram 1.000 milhões de Euros ? ·
Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos ? ·
Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6.500 milhões de Euros de receita perdida ? A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores. QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA, FICÁMOS TODOS ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE. QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS , OS REFORMADOS E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE COMBATE AO DÉFICE, PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA CORAGEM.



Santana Castilho (Professor Ensino Superior)

13 de outubro de 2006

" Portugal vale a pena" de Nicolau Santos

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.
Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados.
E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais.
E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).
Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado
mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.
E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um
pouco por todo o mundo.
O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace,
Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo.
E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).
É este o País em que também vivemos.
É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc.
Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.
Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.
Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso In Revista Exportar


11 de outubro de 2006

6 de outubro de 2006

Espreto com escabeça!



27 de setembro de 2006

O que fizemos de nossas mãos? de Carlos Romero

Amanheci hoje com um enorme desejo de beijar minhas mãos. As mãos são uma das nossas maiores bençãos. Já imaginou você acordar sem elas? Mas quem tem um espírito forte, se sente feliz até mesmo sem mãos e sem olhos. E eu digo isso porque vi, outro dia, uma jovem sem braços, sorrindo para a manhã de sol. Ela parecia uma colegial em férias. Eu vi essa cena e muito me comovi. Não só me comovi como me serviu de lição.

Fomos beneficiados com duas mãos. E elas trabalham juntas. Já disse o ditado que "uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto". Está aí uma grande lição. Impossível a mão direita se lavar sozinha e vice-versa. Uma precisa da outra. Está aí um grande ensinamento que a vida nos dá. O ensinamento da solidariedade.

É verdade que eu amo todo o meu corpo. Essa preciosidade biológica que suplanta a preciosidade tecnológica de um computador. Acontece que somos em geral péssimos administradores do nosso próprio corpo, que não foi fabricado, mas criado, que não foi comprado, mas dado. Corpo que envenenamos com álcool, fumo, gorduras e produtos químicos.

Mas... e as mãos? Vejo-as neste momento digitando neste teclado de computador, numa subserviência comovedora. Subserviência ao cérebro que a dirige. Daqui a pouco, vou ao banho, e que seria dele sem elas? Pouco mais, na refeição, são elas que me ajudarão no ato da alimentação. Mal entro no carro e são elas que pegam a chave do veículo, que puxam o cinto de segurança, que seguram o volante. E mais adiante vejo-as acenando para os amigos que vou encontrando no caminho. Elas, muitas vezes, falam por mim. Sim, as mãos falam. Os deficientes visuais têm nelas os olhos que lhes faltam. Dizem que nelas está escrito o mapa de nossa vida, assim como de nossa identidade.

Mãos de operários, mãos de pianistas, mãos de policiais, mãos de marginais, mãos que ajudam, mãos que dão vida, mãos que violentam, mãos de pugilista, mãos que acariciam, mãos que pedem perdão, mãos que arquitetam vinganças, mãos que curam, mãos que plantam, mãos que agradecem, mãos que assinam, mãos que assassinam, mãos que apontam caminhos. Mãos que escrevem, mãos que falam por aqueles que não podem falar... Mãos que hipnotizam multidões. Mãos de Hitler. Mãos que acenam saudades, mãos que erguem brindes de confraternização. Mãos culpadas. Mas elas não são culpadas de serem mal dirigidas. Elas apenas obedecem as ordens que lhes damos. São apenas instrumentos. Tanto podem salvar uma vida através da cirurgia, como podem expulsar um filho do útero, como um intruso. Ah, as mãos que abortam! Mãos que pedem para os outros. Mãos do padre Zé Coutinho. Mãos que limpam lepra. Mãos de Madre Tereza de Calcutá, mãos que trazem mensagens do outro lado da vida. Mãos de Chico Xavier.

Pois é, leitor, como disse no início, amanheci hoje de manhã com um desejo enorme de beijar minhas próprias mãos. Mas por que só as mãos? É que elas são fáceis de serem beijadas. Como poderia beijar meus olhos, beijar meu coração, beijar meus pés? Ah, os pés!... Que seria de minhas caminhadas sem eles?

Mas esta crónica é para as mãos. As mãos merecedoras de muitos beijos. Sei que elas só descansam durante o sono, quando estamos imobilizados, ou quando morremos. Aí elas nada mais podem fazer por nós.

Que responsabilidade possuirmos mãos! Quando chegar a hora de deixar este mundo, uma pergunta nos perturbará: "afinal o que foi que fizemos de nossas mãos?"


20 de setembro de 2006

John Lennon













Acabei de ler o livro que Cynthia Lennon escreveu sobre o seu casamento com John Lennon e fiquei ainda mais enfurecido com a bruxa que para além de os separar acabou com a maior banda do mundo, os The Beatles.



A foto da BRUXA que deu a volta ao génio.
Yoko Ono