3 de dezembro de 2005

FELIZ NATAL


Desejo-vos um Feliz Natal
e um Ano novo muito próspero.

30 de novembro de 2005

PROVÉRBIOS PARA GENTE CULTA!....


Expõe-me com quem deambulas e a tua idiossincrasia augurarei.

(Diz-me com quem andas e te direi quem és)

Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congéneres
revolteando em duplicado.

(Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar)

Ausência de percepção ocular, insensibiliza órgão cardial.

(Olhos que não vêem, coração que não sente)

Equídeo objecto de dádiva, não é passível de observação odontológica.

(A cavalo dado não se olham os dentes)

O globo ocular do proprietário torna obesos os bovinos.

(O olho do amo engorda o gado)

Idêntico ascendente, idêntico descendente.

(Tal pai, tal filho)

Descendente de espécime piscícola sabe locomover-se em líquido
inorgânico.

(Filho de peixe sabe nadar)

Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a
capacidade de ingestão de espécie avícola.

(Grão a grão enche a galinha o papo)

Tem o monarca no baixo ventre

(Tem o rei na barriga)

Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro,
movimenta-os substancialmente em condições excepcionais.

(Quem ri por último ri melhor)

Quem aguarda longamente, atinge o estado de exaustão.

(Quem espera desespera)

29 de novembro de 2005

A HISTÓRIA DO JAZZ

É impossível conhecer o jazz sem o ouvir. Qualquer coisa que se fale aqui será menos convincente do que o prazer de conhecer, ouvindo quem o faz. Contudo, não há melhor começo que um alerta basilar: o jazz é, em essência, uma música de imensas contradições. O carácter dicotómico entre os seus muitos estilos é perene como as águas do Mississipi, o romântico rio marcado como ícone do jazz.
Num percurso desde os primórdios até aos nossos dias, o ouvinte perguntará várias vezes sobre o sentido inter-relacional dos vários géneros criados dentro do jazz em praticamente cada nova década de sua história. O jazz, ao mesmo tempo que respeita a sua tradição e história, desafia essa tradição, criando contrapontos novos que mudam, na prática, todo o pensamento lógico então vigente. Ou seja, cada estilo novo surgido em sua evolução rompe relações com o anterior.
Vamos para a história. Não existe precisão quanto ao tempo em que surgiram as primeiras manifestações jazzísticas, mas os pesquisadores presumem que os primeiros negros americanos que se reuniam para bater tábuas de lavar roupa, viviam entre 1860 e 1880, a pré-história dessa música. Entretanto, hoje já há consenso quanto ao berço da música praticada por esses americanos. Para surpresa da maioria, não corresponde apenas a New Orleans. Várias outras cidades também viram o jazz nascer, como Memphis, Kansas City, St. Louis, Dallas e outras do Centro-Oeste e do Sul dos Estados Unidos. É incorrecto, portanto, ligar a tradição jazzística apenas a New Orleans. Segundo o pesquisador Joachim Berendt, “o facto de várias pessoas em diferentes lugares, sem contacto entre si, fazerem a mesma música, é uma prova de que um sólido estilo musical estava a nascer”. Ele continua, “comummente denominado de New Orleans o primeiro estilo de jazz. Antes dele, porém, já havia o Rag Time e a sua capital não era New Orleans, mas Sedália, no Estado do Missouri”.
Essa música, mistura da tradição europeia e o sentido rítmico do negro, o Rag Time, teve como principal difusor o compositor e pianista Scott Joplin. Essa música ainda não possuía o elemento improvisação ( a principal célula do jazz de hoje ). Ironicamente, suas primeiras melodias viraram, mais na frente, inspiração para os primeiros improvisos no jazz. O Rag Time tinha forte conteúdo popular, era ouvido pelos operários das estradas de ferro, em bares. Logo no virar do século surgiria, então, o estilo New Orleans através do precursor Jelly Roll Morton ( que tinha no seu cartão de visita: criador do Rag Time ). Nessa época, a cidade de New Orleans era a perfeita profusão racial. Franceses, espanhóis, ingleses, italianos, alemães e eslavos, misturavam-se aos negros escravos, africanos ( espécie responsável pelas primeiras performances improvisativas ). A miscelânea de raças e credos conferia, definitivamente, ao jazz, um carácter cosmopolita e exótico. Nesse ponto da história, o jazz beberia na fonte do blues, bastante influenciado pelas canções de trabalho ( worksongs ) e os spirituals ( um tipo de canto dos cultos religiosos ). Os músicos negros de jazz não admitiam ser chamados de “americanos”, mas sim “crioulos”, uma espécie de francês bastardo.
Por volta de 1910, tornava-se comum desfilar em pequenos combos ( em cima de carros ou a pé ) pelas ruas de New Orleans. Quando duas formações se encontravam, ao acaso, havia um “duelo de improvisos”, conferindo imensa originalidade para o som praticado nessa época. Essas pequenas orquestras foram profissionalizando essa sonoridade até criar um rótulo estilístico: Dixieland ( dix, dez em francês, era impresso na nota de dez dólares ) . O momento era bastante propício para a maior penetração de brancos nas formações crioulas. E, de facto, isso aconteceu. Papa Jack Laine foi o primeiro branco a ganhar notoriedade idêntica à de negros.
A entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial coincidia com a popularização do gramofone, onde se podiam ouvir as primeiras gravações. Em Chicago, particularmente, desenvolvia-se uma atmosfera alegre que contrastava com os conflitos sociais entre negros e brancos. A pluralidade da região contribuíra para o desenvolvimento do estilo Chicago dentro do jazz. O maior expoente desse género foi um lendário trompetista chamado Bix Beiderbecke. Dedicado e estudioso dos compositores eruditos modernos, Bix ficou conhecido como um dos músicos mais exigentes da época. Diziam que ele nunca estava satisfeito com a execução instrumental, a própria e a de seus músicos. Isso, conclui-se, ajudou a formar a lenda de que todo músico de jazz é obcecado pelo estudo e pela prática contínua. Nesse contexto, outra legenda do jazz aparece: o trompetista e cantor negro Louis Armstrong.
Chegavam os anos 30 e com eles o estilo Swing, a música que atingiu o maior sucesso comercial do século XX ( maior, inclusive, que, por exemplo, o rock’n roll ). A característica que mais marcou o Swing foi a formação das grandes orquestras, sobretudo em Kansas City. Segundo Joachim Berendt, “a formação de grandes conjuntos, mas também a valorização do toque individual, foram pólos opostos desenvolvidos nessa música cada vez mais colectiva e cada vez mais individual”. Das big bands dos anos 30, grandes solistas se destacaram, como, Count Basie, Coleman Hawkins, Benny Goodman, Fats Waller e Fletcher Henderson.
Essa música atravessou toda a década de 30, até que, no início dos anos 40, um grupo de jovens músicos começava a tecer, em pequenos bares, novas directrizes para o jazz. Esses músicos eram, o saxofonista Charlie Parker, o pianista Thelonious Monk, o trumpetista Dizzy Gillespie e o baterista Kenny Clarke. Frases incrivelmente rápidas e nervosas norteavam as melodias desse estilo novo, apelidado de Bebop. A ousadia da nova música quebrava a harmonia dos estilos anteriores, fazendo o público ter dificuldade de compreender essa proposta. Muitos anos se passaram para que fosse assimilada. Dizia-se que era o fim do jazz. No limiar dessa falta de assimilação, um jovem trompetista surge para mudar a música para sempre: Miles Davis, um dos músicos mais revolucionários para a história da própria música. Era a década de 50, e um novo estilo nascia através da substituição do nervosismo e da agitação do Bebop, pela tranquilidade e meditação. Nascia o Cool Jazz.
Daqui para a frente, nada que você possa ouvir deixará de ter o dedo do genial Miles Davis. Através dele surgiram os músicos que mudariam a música dos anos 60: Ornette Coleman, John Coltrane e Eric Dolphy. Outra vez, o jazz via-se aturdido, modificado por propostas radicais de imensa flexibilidade e abertura. O novo estilo não poderia ser baptizado de modo diferente: Free Jazz. A enorme liberdade interpretativa conduzia os músicos até viagens entre culturas diferentes, ruídos antes não aceites como sons, dissolução da tonalidade. Aqui, o que realmente importava era a liberdade da execução. Vale frisar que mais uma vez se preconizou o fim do jazz, acreditando-se que o Free Jazz era a cultura do caos. O génio criativo e inquieto Miles Davis, então, lança o fundamento do que seria o jazz anos 70, mais na frente chamado de Fuzzion, ou Jazz Rock. Influenciado pelo rock de Jimi Hendrix e Frank Zappa, Miles escalava na figura de um jovem guitarrista inglês, John Mclaughlin, os degraus da popularidade, como redentor do jazz confuso dos anos 60.
Para muitos, a década de 80 foi a menos criativa em todos os sentidos relativamente à música. De facto, praticamente, nada foi visto como novidade, que tenha adquirido longevidade. Até aparecer, mais uma vez, a figura iconoclasta de Miles Davis para inventar uma impossível fusão do instrumental do jazz com o vocal de atitude social do hip hop. Surge o Acid Jazz para os anos 90, e na cola deste um sem número de músicos jovens. Mas, os 90 não se resumem ao estilo Acid. Houve um importante renascimento da atitude jazz, na qual os músicos se dedicam a intensas performances interpretativas ao instrumento. Essa novíssima geração de músicos surgida na década passada fez florescer grande popularidade e sucesso comercial em praticamente todos os cantos do planeta.
O que se pode dizer de mais expressivo sobre esse género musical é que continua sendo o mais influente na música actual, como já o fizera por toda a vida de pouco mais de 120 anos. O jazz está em todas as partes, em todas as músicas e vice-versa.


28 de novembro de 2005

ALMA GÉMEA

Por você eu tenho feito
e faço tudo que eu puder
p’ra que a vida seja
mais alegre do que era antes

Tem algumas coisas que acontecem
que é você quem tem que resolver
acho graça quando às vezes, louca,
você perde a pose e diz foi sem querer

Quantas vezes no seu canto
em silêncio você busca o meu olhar
e me fala sem palavras
que me ama tudo bem, tá tudo certo

De repente você põe a mão
por dentro e arranca o mal pela raiz
você sabe como me fazer feliz

Carne e unha, alma gémea,
bate coração,
as metades da laranja
dois amantes, dois irmãos
duas forças que se atraem
sonho lindo de viver,
estou morrendo
de vontade de você


23 de novembro de 2005

O AMOR NUMA PERSPECTIVA BEM HUMORADA!

O amor não é algo que te faz sair do chão e te transporta para lugares que nunca vistes.
O nome disso é avião.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que escondes dentro de ti e não mostras para ninguém. Isso é um vibrador tailandês de 3 velocidades.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala.
O nome disso é bronquite asmática.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que chega de repente e te transforma em refém.
Isso
é um sequestrador.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que voa alto no céu e deixa a sua marca por onde passa.
Isso é um pombo com caganeira.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que lançou uma luz sobre ti, te levou pra ver estrelas e te trouxe de volta com algo dele dentro de ti.
Isso é um alienígena.
O amor é outra coisa.

O amor não é uma coisa que desapareceu e que, se encontrado, poderia mudar o que está diante de ti.
Isso chama-se controle remoto de TV.
O amor é outra coisa.

"O amor é simplesmente... o amor."


19 de novembro de 2005

ELES NÃO FORAM GRANDES, FORAM ENORMES!


THE BEATLES


15 de novembro de 2005

HÁ DIAS ASSIM!

Há dias de manhã que a gente à tarde não pode sair à noite.

Hoje foi um dia mesmo duro.

Quando me levantei e depois de uma noite bem agitada, sonhei que não me deixavam dormir há já varias semanas e ainda por cima tinha de ouvir constantemente o disco do Zé Cabra, fui tomar banho e quando estava bem ensaboadinho faltou a água. Estão a ver como é!. Depois de ter ultrapassado essa situação telefonei para o meu amigo Paulo para saber a que horas nos encontravamos para o almoço e do outro lado ouvi isto:

Olá, telefonou para o Paulo e a Sónia. Não podemos atender por agora, porque estamos a fazer uma coisa que adoramos. A Sónia gosta de o fazer para cima e para baixo enquanto eu gosto da esquerda para a direita... muito devagar. Deixe a sua mensagem, que logo que acabemos de escovar os dentes telefonamos-lhe.

Como não consegui ligação com o Paulo resolvi ligar ao João que também tinha combinado ir connosco e ouço esta:

Olá. Aqui é o João. Se for da companhia de telefones, já enviei o dinheiro. Se forem os meus pais, por favor mandem dinheiro. Se pertencer a uma instituição financeira de caridade, não me emprestaram dinheiro suficiente. Se és um dos meus amigos, deves-me dinheiro. Se és uma rapariga, não te preocupes, tenho montes de dinheiro...

Mau, mau ! Isto está mesmo a correr mal. Estou a ver que tenho de ir almoçar sozinho.

Saí de casa sem saber muito bem onde iria almoçar e resolvi tomar um cafezinho antes e comprar o jornal. Enquanto saboreava o café e lia as gordas do Jornal de Noticias, três velhotes sentados na mesa ao lado conversavam sobre o melhor modo de se morrer.

O primeiro disse:
- Eu gostaria de morrer num acidente automobilístico, ao bater o meu carro a 200 Km/h
O segundo disse:
- Eu prefiro morrer durante o sono...
E o terceiro o mais velhinho de todos, disse:
- Ah, como eu gostaria de ser assassinado por um marido ciumento!

Ai que isto está a ficar lindo está.

Como não me apetecia pegar no carro meti-me no metro em direcção ao Porto para almoçar no primeiro restaurante que encontrasse, e mal acabei de entrar no metropolitano um tipo que vinha atrás de mim, antes da porta fechar gritou para o casal que o acompanhara:
-Tchau, Sérgio! Adorei o fim de semana! A tua mulher e óptima na cama, muito boa mesmo!
Intrigado, não contive a curiosidade e disse:
-Desculpe. Não me leve a mal, mas o senhor disse mesmo ao tipo que a mulher dele é boa na cama?
E ele confessou-me baixinho:
-Sabe como é... Ela até que não é nada de especial, mas eu não quis ofender o Sérgio.

- Eu num digo, isto ainda vai acabar mal.

Mas porque é que eu não fiquei em casa. Comia uma sopinha e nem sequer tirava o pijama.

Lá me dirigi a um restaurante na esperança de uma refeição calminha e bem servida.

Mandei vir um prego em prato e quando mo trouxeram não resisti e chamei o empregado.
- O senhor já viu o tamanho do bife que me trouxe?
Resposta do empregado:
- De facto não é grande, mas vai ver o tempo que o demora a comer.

Mas não ficou por aqui. Como estava com fome pedi para me trazer uma sopa.

Comecei a comer a dita cuja e…… não acredito.

- Oh, senhor empregado!
- Sim, diga por favor!...
- O senhor quer fazer o favor de me explicar o que está esta mosca a fazer na minha sopa!!!?
Pausa...
- Não sei bem senhor, mas parece que está a nadar de costas!!!
Belisquei-me para ver se não estava a sonhar e respirei fundo para me acalmar.

Pedi a conta e saí rapidamente daquela espelunca. Fiquei tão abananado com tudo o que estava a acontecer que fiquei no passeio a olhar o trânsito completamente apalermado, eis senão quando reparo mesmo à minha frente escrito na fachada de uma casa o seguinte:

Herrar é umano, seus bando de inguenorantes.

Nem sabia se havia de rir ou chorar.

Não!!!! Já chega vou mas é para casa dormir uma soneca que assim não dá para aguentar!

8 de novembro de 2005

SITUAÇÃO DO PAÍS EM 1871


"O país perdeu a inteligência e a consciência moral.

Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (.)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado
como um inimigo. (.)
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"

Eça de Queirós, 1871. Este texto merece ser publicado, pois passados 134 anos continua bem actual.

5 de novembro de 2005

O bom senso como suporte da humanidade

Se não tivesse havido em todos os tempos uma maioria de homens para fazer depender o seu orgulho, o seu dever, a sua virtude da disciplina do seu espírito, da sua «razão», dos amigos do «bom senso», para se sentirem feridos e humilhados pela menor fantasia, o menor excesso da imaginação, a humanidade já teria naufragado há muito tempo.
A loucura, o seu pior perigo, não deixou nunca, com efeito, de planar por cima dela, a loucura prestes a estalar... quer dizer a irrupção da lei do bom prazer em matéria de sentimento de sensações visuais ou auditivas, o direito de gozar com o jorro do espírito e de considerar como um prazer a irrisão humana. Não são a verdade, a certeza que estão nos antípodas do mundo dos insensatos; é a crença obrigatória e geral, é a exclusão do bom prazer no ajuizar. O maior trabalho dos homens foi até agora concordar sobre uma quantidade de coisas, e fazer uma lei desse acordo,... quer essas coisas fossem verdadeiras ou falsas. Foi a disciplina do espírito que preservou a humanidade,... mas os instintos que a combatem são ainda tão poderosos que em suma só se pode falar com pouca confiança no futuro da humanidade.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'

4 de novembro de 2005



"Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Saint-Exupéry