19 de novembro de 2005

ELES NÃO FORAM GRANDES, FORAM ENORMES!


THE BEATLES


15 de novembro de 2005

HÁ DIAS ASSIM!

Há dias de manhã que a gente à tarde não pode sair à noite.

Hoje foi um dia mesmo duro.

Quando me levantei e depois de uma noite bem agitada, sonhei que não me deixavam dormir há já varias semanas e ainda por cima tinha de ouvir constantemente o disco do Zé Cabra, fui tomar banho e quando estava bem ensaboadinho faltou a água. Estão a ver como é!. Depois de ter ultrapassado essa situação telefonei para o meu amigo Paulo para saber a que horas nos encontravamos para o almoço e do outro lado ouvi isto:

Olá, telefonou para o Paulo e a Sónia. Não podemos atender por agora, porque estamos a fazer uma coisa que adoramos. A Sónia gosta de o fazer para cima e para baixo enquanto eu gosto da esquerda para a direita... muito devagar. Deixe a sua mensagem, que logo que acabemos de escovar os dentes telefonamos-lhe.

Como não consegui ligação com o Paulo resolvi ligar ao João que também tinha combinado ir connosco e ouço esta:

Olá. Aqui é o João. Se for da companhia de telefones, já enviei o dinheiro. Se forem os meus pais, por favor mandem dinheiro. Se pertencer a uma instituição financeira de caridade, não me emprestaram dinheiro suficiente. Se és um dos meus amigos, deves-me dinheiro. Se és uma rapariga, não te preocupes, tenho montes de dinheiro...

Mau, mau ! Isto está mesmo a correr mal. Estou a ver que tenho de ir almoçar sozinho.

Saí de casa sem saber muito bem onde iria almoçar e resolvi tomar um cafezinho antes e comprar o jornal. Enquanto saboreava o café e lia as gordas do Jornal de Noticias, três velhotes sentados na mesa ao lado conversavam sobre o melhor modo de se morrer.

O primeiro disse:
- Eu gostaria de morrer num acidente automobilístico, ao bater o meu carro a 200 Km/h
O segundo disse:
- Eu prefiro morrer durante o sono...
E o terceiro o mais velhinho de todos, disse:
- Ah, como eu gostaria de ser assassinado por um marido ciumento!

Ai que isto está a ficar lindo está.

Como não me apetecia pegar no carro meti-me no metro em direcção ao Porto para almoçar no primeiro restaurante que encontrasse, e mal acabei de entrar no metropolitano um tipo que vinha atrás de mim, antes da porta fechar gritou para o casal que o acompanhara:
-Tchau, Sérgio! Adorei o fim de semana! A tua mulher e óptima na cama, muito boa mesmo!
Intrigado, não contive a curiosidade e disse:
-Desculpe. Não me leve a mal, mas o senhor disse mesmo ao tipo que a mulher dele é boa na cama?
E ele confessou-me baixinho:
-Sabe como é... Ela até que não é nada de especial, mas eu não quis ofender o Sérgio.

- Eu num digo, isto ainda vai acabar mal.

Mas porque é que eu não fiquei em casa. Comia uma sopinha e nem sequer tirava o pijama.

Lá me dirigi a um restaurante na esperança de uma refeição calminha e bem servida.

Mandei vir um prego em prato e quando mo trouxeram não resisti e chamei o empregado.
- O senhor já viu o tamanho do bife que me trouxe?
Resposta do empregado:
- De facto não é grande, mas vai ver o tempo que o demora a comer.

Mas não ficou por aqui. Como estava com fome pedi para me trazer uma sopa.

Comecei a comer a dita cuja e…… não acredito.

- Oh, senhor empregado!
- Sim, diga por favor!...
- O senhor quer fazer o favor de me explicar o que está esta mosca a fazer na minha sopa!!!?
Pausa...
- Não sei bem senhor, mas parece que está a nadar de costas!!!
Belisquei-me para ver se não estava a sonhar e respirei fundo para me acalmar.

Pedi a conta e saí rapidamente daquela espelunca. Fiquei tão abananado com tudo o que estava a acontecer que fiquei no passeio a olhar o trânsito completamente apalermado, eis senão quando reparo mesmo à minha frente escrito na fachada de uma casa o seguinte:

Herrar é umano, seus bando de inguenorantes.

Nem sabia se havia de rir ou chorar.

Não!!!! Já chega vou mas é para casa dormir uma soneca que assim não dá para aguentar!

8 de novembro de 2005

SITUAÇÃO DO PAÍS EM 1871


"O país perdeu a inteligência e a consciência moral.

Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (.)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado
como um inimigo. (.)
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"

Eça de Queirós, 1871. Este texto merece ser publicado, pois passados 134 anos continua bem actual.

5 de novembro de 2005

O bom senso como suporte da humanidade

Se não tivesse havido em todos os tempos uma maioria de homens para fazer depender o seu orgulho, o seu dever, a sua virtude da disciplina do seu espírito, da sua «razão», dos amigos do «bom senso», para se sentirem feridos e humilhados pela menor fantasia, o menor excesso da imaginação, a humanidade já teria naufragado há muito tempo.
A loucura, o seu pior perigo, não deixou nunca, com efeito, de planar por cima dela, a loucura prestes a estalar... quer dizer a irrupção da lei do bom prazer em matéria de sentimento de sensações visuais ou auditivas, o direito de gozar com o jorro do espírito e de considerar como um prazer a irrisão humana. Não são a verdade, a certeza que estão nos antípodas do mundo dos insensatos; é a crença obrigatória e geral, é a exclusão do bom prazer no ajuizar. O maior trabalho dos homens foi até agora concordar sobre uma quantidade de coisas, e fazer uma lei desse acordo,... quer essas coisas fossem verdadeiras ou falsas. Foi a disciplina do espírito que preservou a humanidade,... mas os instintos que a combatem são ainda tão poderosos que em suma só se pode falar com pouca confiança no futuro da humanidade.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'

4 de novembro de 2005



"Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Saint-Exupéry

24 de outubro de 2005



ANIVERSÁRIO DE UM BEBÉ

Ontem foi o meu aniversário...

Eu ia completar um mês de vida...

Pensei que tu mãe, me fosses dar uma festinha como as outras mães. Pensei que fosses dar no pai, o beijo que gostarias de dar em mim, porém a festa não foi alegre como eu esperava.

Mas, tu foste à farmácia comprar um presente, pena que esse presente tenha causado o fim da minha vida...

Porquê mãe?

Porquê logo no dia do meu aniversário?

Pensei que tu fosses ficar feliz com a minha chegada, mas tu não deixas-te eu caminhar nem metade. Tu barras-te o meu caminho.

Eu sabia que durante uns meses eu ia estragar a tua elegância, porém eu já tinha prometido a mim mesmo, que ficaria bem apertadinho, eu ia deixar-me crescer depois que nascer. E também tinha de ficar mudo nove meses.

Entretanto, mais tarde ia-te contar a felicidade de te ter como mãe. Olha... eu ia conversar muito contigo, quando tu estivesses triste, faria tudo para fazer nascer em teus lábios um sorriso, e quando estivesses alegre, faria tudo para que essa alegria durasse.

Sabes... Eu planejei tanta coisa!

Queria crescer bastante e depois de homem, lutaria com todas as minhas forças para que a guerra e o ódio acabassem e reinasse a paz no mundo. Queria crescer para plantar no chão da minha experiência, muitas rosas, para que o perfume embriagasse os homens e os deixasse incapazes de fabricar máquinas que matam os outros homens.

Sim...! Eu queria muitas coisas mas tu não sentis-te isso.

Por que me tiras-te a vida mãe?

Engraçado... eu pensei que os pais amassem os filhos, a ponto de lhes dar a própria vida.

Contudo... tu não me deixas-te viver a vida que mal tinha começado.

Olha, este era o meu plano, quando eu estava no teu ventre.

Hoje já não posso planejar nada, pois faço parte do mundo dos espíritos, onde a vida é verdadeira.

Estou muito triste, pois esta foi uma das maiores oportunidades que tive, agora vou esperar até que um dia tu mãe despertes para Deus, assim eu poderei nascer de novo nos teus braços, para juntos novamente resgatarmos as nossas faltas do passado...


Autor desconhecido

17 de outubro de 2005


OBRIGADO MINHA AMIGA!

Tens sido a minha verdadeira
e arrebatadora paixão há algumas décadas.
A minha confidente, que atura este mau feitio,
e ainda me dá os sons que eu preciso
para esquecer as agruras do dia a dia.
Ouves-me sempre com atenção.
Traduzes o que me vai no coração e reproduzes fielmente
tudo o que a minha alma grita.
Quantas vezes no silêncio da noite,
baixinho, muito baixinho me fizeste esquecer angústias,
medos, ingratidões e abafaste com a tua sonoridade
todos os meus lamentos.
Fazes parte de mim, és a extensão de mim próprio.
Sinto as tuas vibrações no fundo do meu ser e desfaleço na permuta.
És a minha feiticeira, o meu sonho acordado, tens cheiro a paz.
O teu som brota poesia e alimenta o meu imaginário.
Sempre te deste e ao acariciar-te rejuvenesço.
Minha boa e fiel companheira, só tu me tens entendido.
Através de ti conheci gente interessante e fiz bons amigos.
As viagens que temos feito!
Já me aparaste algumas lágrimas e sentiste a solidão
que por vezes sinto no meio de tanta gente.
Tens lido os meus mais intimos sentimentos.
As descobertas que temos conseguido!
Eu sei que há quem não entenda esta nossa relação,
mas desculpamo-los e entendemos porque não entendem.
Vou ser teu companheiro até ao resto dos meus dias!
Se um dia deixar de poder tocar-te, acariciar-te,
ou a nossa cumplicidade deixar de fazer sentido,
morre parte de mim.

Obrigado por tudo minha amiga!

29 de agosto de 2005



CARTA DOS PRIMO OISMACA



Caros primo:

Sou eu, os primo Oismaca, a contar os noticia da vida desde que deixei os Cabo
Verde para vir para Lisboa. Os vida corre muito bem, vale a pena vir viver para
Lisboa.
Pouco depois de ter chegado, apareceu os senhora esquisita com cheiro aquela
erva dos Jamaica, e disse que ia dar os casa aos nigga todo.
Eu disse que nao tinha os dinheiro para pagah, mas ela disse para os nigga nao
preocupar porque os contribuinte pagava.
Precisava dinheiro e queria trabalho, mas os broder disse que trabalho eh pos
branco. E foi assim que entrei nos gang.
Trabalhar nos gang eh cool. Os nigga passa os dia no cabeleireiro a fazer os
penteado novo para impressionar os dama e quando os dinheiro acaba pega nos
naifa e vai aos comboio assaltah os branco. Nem eh preciso ir todo os dia, uma
ou duas tarde a roubar dah para toda a semana.
Agora so uso os roupa cara e todos os semana compro Nikes nova.
Agora nos Verao, vamos para os praia. Levamos os tijolo para curtir os rap em
alto som, vemos os dama e ainda fazemos dinheiro.
Um destes dia, eu e mais 500 broders assaltamos todo os branco que estava nos
praia dos Estoril, e nos regresso ainda assaltamos os comboio e os loja.
Tu deves julgah que os branco nao curte os nigga porque nos esfaqueia muito
branco. Mas os branco gosta dos nigga. Nos televisao toda a gente diz bem dos
nigga e que o pais precisa dos broter.
No dia depois de roubar os branco nos praia, os broter dos Cacem matou uns
branco so pa experimentar os catana nova.
Os unica coisa chato eh os policia. Quando apanham os nigga a esfaquear os
branco levam pa esquadra. Ate ja me tiraram os fotografia. Mas depois pedirem
desculpa e mandaram os broter embora.

Mas tu nao sabe os melhor, em Outubro vou ser portugues. Es verdade. Os senhora com cheiro a erva dos Jamaica, disse que depois ja posso votar nos partido dela e ainda ganho mais coisa.
Vem depressa para Portugal e traz os familia toda. Este pais precisa de nos.
Um abraço dos primo Oismaca .

10 de agosto de 2005


APENAS A LÍNGUA PORTUGUESA NOS PERMITE ESCREVER ISSO

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Paredes, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Portimão. Pernoitando, prosseguiu para Pontevedra, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
- Povo previdente! Pensava Pedro Paulo...Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes.
- Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
- Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:
- Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Por que pintas porcarias?
- Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão
perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando...

Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar...Para parar preciso pensar. Pensei.
Portanto, pronto pararei.

20 de junho de 2005


CULTIVEM-SE PORRA!!!!!

O músico que mais me fascinou desde que comecei a prestar atenção à arte dos sons, foi exactamente Wolfgang Amadeus Mozart. É impressionante a genialidade da obra deste homem. Aqui vos deixo (ainda que muito resumida) a sua biografia.



MOZART - O GÉNIO

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasceu em 27 de janeiro de 1756 em Salzburgo, na Áustria e morreu em 5 de dezembro de 1791 em Viena, Áustria. Filho de Leopold Mozart, que era violinista. Aos três anos, Wolfgang nos parece como um garotinho risonho, vivo, sempre a saltar, divertindo-se com os de sua idade, com os mil espetáculos da rua. Aos quatro anos, ouvindo a irmã que começava a estudar cravo, sentiu-se tomado de súbita fascinação pelo instrumento, em que se podia repetir tantas árias. Desde então, começou a aprender música. Tempos depois, já estava dando concertos para imperadores, apesar da pouca idade.
Wolfgang não gostava do regime que lhe era imposto e buscava evadir-se sempre, para compor. Wolfgang assombrava a todos, ora num concerto de franciscanos, executando no órgão, ora na alfândega, perante os empregados, tocando as músicas de seu repertório. Aperfeiçoou instrumentos como o oboé e fagote, criou e modernizou estilos, como o "concerto para piano e orquestra". Isso e muito mais, garantiu o seu lugar na galeria dos gênios como o "Gênio da Música", com o merecido valor. Surgiram outros compositores de grande potencial, como Ludwig Van Beethoven, que inclusive teve aulas com Mozart e o admirava profundamente como o seu Mestre, chegando a dizer: "Mozart é bom e admirável".
Haydn, compositor renomado, que viveu no mesmo período que Mozart e Beethoven, disse certa vez "que a humanidade não teria um gênio musical nos próximos 100 anos". Não conseguiu ter nem em 200...
Em face da insual catarata de obras mestras com que depara o menos adestrado dos melômanos, o catálogo mozartiano corre o risco de aparecer como uma biografia, como o testemunho de um homem que viveu somente para compor o que não pôde contar com o tempo suficiente (viveu somente 35 anos) para a felicidade e o sofrimento, para o amor e o ódio. Nada mais longe da verdade. Porque desde que Wolfgang Amadeus Mozart nasceu, até que foi enterrado em vala comum, quase anonimadamente em Viena, sua vida sempre foi complicada e sufocante, acuada pela mediocridade e pela burocracia, não poucas vezes frustadas pela inveja dos que rodearam e quase sempre surpreendentemente mal recompensada por aqueles que em seu tempo eram os encarregados de dividir prêmios e castigos.
Filho de pai músico, o menino revelou rapidamente sua impressionante afeição pela música. Leopold, seu pai, compreendeu o benefício que podia tirar desse pequeno prodígio, assim como Nannerl, irmã de Wolfgang, cinco anos mais velha do que ele.
Com os dois, viajou para Munique, Viena, Bruxelas e Paris, onde em 1763 Wolfgang Vê editadas suas primeiras obras: as Sonatas para Violino. Depois, partem para Londres, onde o jovem interpreta o cravecim e deixa se influenciar por Johann Cristian Bach. Em 1768-- aos 12 anos -- compõe em Viena sua primeira ópera bufa, La Finta Semplice, e faz representar Bastien und Bastiene. Consegue o título de maestro de concertos do arquiduque de Salzburgo e em 1769 viaja para a Itália, onde passa dois anos percorrendo Nápoles, Milão e Roma, sempre com um sucesso rotundo e crescente. A partir de 1770, as estréias de suas obras se sucedem: Mithridate, Betulia, Ascanio in Alba, Lucio Silla, La Finta Gardinera. De regresso a Salzburgo, compõe quatro novas sinfonias e depois, em Viena, sob a influência da música de Haydn, dá forma a seu primeiro Concerto para Piano e Orquestra (1773).
Aos 16 anos já havia composto mais de 200 obras e ainda tinha tempo para o lado sentimental de sua vida. Aloysia Weber é uma jovem que conhece em Mannheim e por quem se apaixona loucamente, mas será com a irmã dela, Constanze, que se casará em Viena, em 1782.
Os vienenses não terminam de entender sua grandes sinfonias, nem seus quartetos de 1785 dedicados a Haydn, nem muito menos As Bodas de Figaro. Esta ópera, não obstante, entusiasma os habitantes de Praga, que a aclamam em 1786. A Praga também cabe a honra, no ano seguinte, de emitir o primeiro aplauso para Don Giovanni.
À medida que Mozart trabalha com maior afinco na busca da perfeição e que cria suas obras de maturidade, como os maravilhosos quintetos, sua Sonata a Quatro Mãos e suas três sinfonias magistrais de 1788, seu matrimônio naufraga. Filhos mortos prematuramente, dívidas, desprezo e incompreensão para o músico e para o homem. O casal acaba vivendo da generosidade de uns poucos amigos. Mozart tenta sua última, desesperada turnê por Dresden, Leipzig e Potsdam.
Em Berlim, consegue um pouco de dinheiro e cria Cosi Fan Tutte (1790). No ano de sua morte, 1791, um prematuramente envelhecido Mozart é testemunha das estréias de suas óperas A Flauta Mágica K-620 (Die Zauberflöte) escrita em língua alemã, ópera fantástica que contém suas árias mais admiradas;
A Clemência de Tito, outro trabalho de excepcional qualidade musical; e seu famoso Réquiem K-626, "conclusão simbólica de sua vida " , como definiu o crítico Norbert Dufourcq. Nos últimos meses de vida, criou o Concerto para Clarinete e Orquestra K-622, que para a maioria dos clarinetistas do mundo, é o mais bonito concerto de clarinete que já foi criado, pois seu adágio é incomparável, de tão magnífico. Mozart escreveu este concerto quando já estava ficando doente e ao mesmo tempo que trabalhava no Requiem.
Por onde sua música passa, deixa um rastro de geniosidade, que mostra com clareza a riqueza das suas obras. É escolhido e eleito por todos como o "gênio" da música, que inovou na arte de compor concertos, criando estilos e fugindo dos padrões clássicos da sua época. Sua música é perfeita. Antônio Salieri, um compositor italiano que viveu na mesma época e junto de Mozart, sempre admitiu que nunca ouviu uma música tão bonita e tão perfeita.
Ninguém sabe de que Mozart morreu. O que realmente se sabe é que teve um funeral de terceira categoria e foi enterrado numa fossa comum, com uma dúzia de cadáveres de indigentes. Não houve monumento nem lápide e hoje nem se sabe o lugar exato onde foi sepultado. Seus restos mortais desapareceram e o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo certamente não é seu. Fica sua música, que, essa sim, é sua e cada geração descobre em toda em toda sua beleza como se tivesse sido composta ontem e, que cada vez enquanto a música de outros desaparece, a de Mozart cresce sempre para a eternidade.
Colaborador: José A. Elias
- Alterações e inclusões por Thiago F.S.
O mundo teve muitos gênios precoces, mas nenhum tão impressionante quanto esse menino austríaco, cujo bicentenário de morte comemorou-se em 1991, dotado pela natureza de um dom misterioso, que fazia com que fluísse dele, instintivamente, desde a infância, música de qualidade inigualável.
Já é espantoso que, em 1766, aos 10 anos de idade, Wolfgang Amadeus Mozart tenha sido convidado a colaborar com Michael Haydn e Anton Adlgasser, dois compositores adultos e experientes, no oratório Die Schuldigkeir des erstens Gebotes (A obrigação do primeiro mandamento). Como Johann Sebastian Bach antes dele, Mozart não inventou formas novas. Mas levou à perfeição todas as que existiam em seu tempo. Nenhum outro compositor, na história da música, conseguiu, como ele, trabalhar com tanta inventividade todos os gêneros então existentes, da ópera à música de câmara.Mas perfeito domínio de forma não é tudo: outros compositores de seu tempo o tiveram no mesmo alto grau. Genialidade em estado puro é o que explica que suas idéias musicais vejam sempre mais originais do que as de qualquer um de seus contemporâneos. Mozart é o dono de uma das mais marcantes "assinaturas" musicais da história da música: a um amante da música clássica basta ouvir meia dúzia de compassos para saber que é dele a melodia tocada. E não apenas dispunha de uma gama imensa de recursos como sabia instintivamente empregá-los da forma mais adequada; tanto assim que foi capaz de transcender um libreto simplório como o da Flauta Mágica, transformando-a numa das mais sublimes criações da mente humana.
Dos sete filhos que Leopold Mozart—violinista, cantor, compositor e vice-mestre-de- capela do
Arcebispado de Salzburgo, na Áustria—teve com sua mulher, Anna Maria Pertl, apenas dois sobreviveram. Uma menina, chamada Maria Anna, cujo apelido era Nannerl, e um menino, nascido a 27 de janeiro de 1756, dia de São João Crisóstomo, a quem foi dado o nome de Joannes Chrysostomus Wolfgang Theophilus (ou Gottlieb, em alemão, que, em 1770, época da viagem para a Itália, ele trocaria pela forma latina Amadeus).Não fosse essa data, 1756 teria sido um ano obscuro na história da humanidade. França e Inglaterra iniciaram mais uma de uma longa série de guerras inúteis. Os ingleses conseguiam, pela primeira vez, produzir veludo a partir do algodão, e um famoso cavalheiro, Giacomo Casanova, fugia da prisão em Veneza para continuar sua vida de aventura.A infância e a adolescência, Wolfgang—cujo talento para a música revelara-se desde os 3 anos de idade—as passou percorrendo as estradas européias com seu pai, que o levava a exibir-se por toda parte, como um macaquinho amestrado
. Sem avaliar os danos que podia estar causando ao filho, que não tinha tempo para ser criança, Leopold não hesitava em explorar o talento do geninho, capaz, aos 6 anos, de improvisar sobre qualquer tema, executar as peças mais complexas ou fazer malabarismo tocando com um pano sobre o teclado do cravo.
Enquanto o príncipe-arcebispo de Salzburgo, para quem os Mozart trabalhavam, era o tolerante Sigismund von Schrattenbach, essas viagens constantes não foram um grande problema. Mozart tocou em Viena para o imperador Francisco I e à princesa Maria Antonieta— mais tarde, a infeliz rainha da França—, que o ajudou a levantar-se depois de um escorregão, disse: "Quando crescer, vou-me casar com você".Em Versalhes, foi recepcionado nos aposentos particulares de Madame Pompadour, a amante de Luís XV. Recebeu títulos das academias filarmônicas de Bolonha e Verona e a Ordem da Espora Dourada das mãos do papa Clemente XIV Em Roma outra prova de seu gênio: após ouvi-lo uma única vez, na Capela Sistina, reproduziu de memória o Miserere, a nove vozes, de Allegri, cuja transcrição era proibida. E —um recorde para a época—seu Mitridate alcançou vinte récitas no Scala de Milão.Mas a morte de Schrattenbach, em 1771, mudou essa situação. Seu sucessor, Hieronimus Joseph Franz von Paula, o Conde de Colloredo, era intratável, exigente, desaprovava excursões e o interesse de Mozart pela música profana. Ele ainda conseguiu,entre 1777 e 1778, fazer uma estada em Manaheim, onde entrou em contato com a orquestra- laboratório que Johann Stamitz criara para fazer pesquisas de técnica instrumental. Com Christian Cannabich, o sucessor de Stamitz, Mozart aprofundou seu conhecimento das possibilidades da escrita orquestral.
Foi em Mannheim também que conheceu a família Weber, e apaixonou-se por Aloysia, talentosa soprano, a mais velha das quatro irmãs. Mas Leopold desaprovava esse casamento, que perturbaria a carreira do filho, a quem não queria ver "reduzido a mero acompanhador de uma cantora". Para afastá-lo de Aloysia,
mandou-o a Paris com a mãe; mas Anna Maria adoeceu subitamente, e morreu em julho de 1778. Mozart estava com 22 anos, e já testemunhara alguns acontecimentos de grande importância.
As colônias inglesas no remoto continente americano declararam-se independentes. Na Inglaterra, Adam Smith publicou sua Pesquisa sobre a natureza e a causa da riqueza das nações, logo reconhecida como a bíblia do novo modelo econômico que tomava conta da Europa—o capitalismo. Descobertas recentes revelavam que o ar era composto principalmente de oxigênio e nitrogênio. O mundo musical enriquecia-se com a copiosa produção de dois talentos extraordinários: o próprio Mozart e Joseph Haydn (não era parente de Michael Haydn), que já havia chegado à sua 63 a sinfonia.Para Mozart, à dor com a perda da mãe, juntou-se a de saber que Aloysia, agora no elenco da Ópera de Munique já não se interessava mais por ele (e, no ano seguinte, se casaria com Joseph Lange, ator e pintor da corte em Viena). Tudo isso concorreu para tornar insuportáveis as pressões sofridas em Salzburgo. Em maio de 1781, Mozart pediu demissão; e foi dispensado nos termos mais humilhantes. Estava com 25 anos: restavam-lhe só mais dez para viver; mas esse seria o período mais fulgurante de sua produção, desenvolvido em Viena, um dos maiores centros musicais do mundo. Wolfgang Amadeus Mozart estava no limiar da maturidade.Decidindo-se a ficar na capital, Mozart hospedou-se na pensão da senhora Weber e, ali, apesar uma vez mais da oposição paterna,
apaixonou-se por Constanze, irmã caçula de Aloysia e com ela se casou em agosto de 1782, em aberto desafio a Leopold. O casal levaria vida atribulada, acima de suas posses e, por isso mesmo, sempre cheio de dívidas; a saúde de Constanze era minada pelas gravidezes freqüentes (de seis filhos em nove anos, apenas dois sobreviveram); e a de Wolfgang—que já sofrera enfermidades graves na infância—, gradualmente solapada pela vida dissipada que levava.
Mas suas relações com Constanze sempre seriam marcadas por intensa atração física, e por uma paixão que se revela, da forma mais explícita, em cartas da mais cândida e tórrida sensualidade. É nessas cartas também que melhor se percebe—como o demonstrou o biógrafo Wolfgang Hildesheimer—o quanto o desenvolvimento psicológico dessa criança, obrigada cedo demais a comportar-se como um adulto, ficou truncado; e quantos traços do caráter desse gênio assombrosamente maduro permaneceram paradoxalmente infantis.
A última década da vida de Mozart assiste a um verdadeiro dilúvio de obras primas dos mais diversos gêneros, que jorravam dele de tal forma acabadas que os seus manuscritos pareciam cópias definitivas. É a fase de seu encontro com o italiano Lorenzo da Ponte (1749-1838), pseudônimo de Emanuele Conegliano, judeu convertido ao catolicismo, estranha mistura de padre, poeta e aventureiro, Casanova de batina, que, tendo sido obrigado a fugir da Europa por suas dívidas e intrigas galantes, seria o fundador, em Nova York, do primeiro teatro de ópera dos Estados Unidos.Esse homem—que fugira de Veneza por causa de seus "pecados de amor" e conseguira tornar-se poeta oficial da corte austríaca—escreveria para Mozart seus três maiores libretos: o das Bodas de Figão, baseado na subversiva comédia de Beaumarchais; o do Don Giovanni, história do legendário libertino sevilhano; e o Così fan tutte, ácida crítica à dissolução dos costumes em seu tempo. Mozart e Da Ponte formariam um dos grandes pares de compositor/libretista da história da ópera, realizando plenamente o ideal da fusão perfeita da música com a palavra.
É em Viena, também, que Mozart— fascinado pelo ideário liberal e humanista posto em moda pela Revolução Francesa—aderirá à Maçonaria. As lições da loja maçônica impregnarão muitas de suas obras, mas nenhuma tão intensamente quanto sua última ópera, A Flauta Mágica, resultado do encontro, nos ambientes maçônicos, com outra estranha figura: o empresário, ator e cantor Emanuel Schikaneder, que dirigia uma sala suburbana de variedades, o Theater auf der Wieden.É para esse palquinho mambembe que será concebido um dos mais sublimes testemunhos do poder criador da mente humana. Fábula ingênua e disparatada, A Flauta Mágica conta a história do príncipe Tamino, encarregado pela Rainha da Noite de libertar sua filha Pamina das garras de um suposto bruxo, Sarastro. Ele, na verdade, é o sumo-sacerdote do templo do Sol. Junto com Papageno, o tocador da flauta que encanta os animais, Tamino é admitido no templo. Eles derrotam a rainha, e Tamino se casa com Pamina. Interrompida em julho de 1791 a fim de que, em poucos dias, Mozart compusesse A Clemência de Tito, para a coroação do imperador Leopoldo II, em Praga, como rei da Boêmia, A Flaura Mágica é a maior das muitas obras-primas que ele escreveu em seu último ano de vida. O Concerto para piano K 595, o Quinteto K 614, o Concerto para clarinete K 622, o Ave Verurn CorPus sucedem-se febrilmente, como se Mozart, com a saúde em frangalhos, percebesse ser pouco o tempo que Ihe restava de vida. Nos últimos dias, estava obcecado pela encomenda feita, por um misterioso mensageiro vestido de cinza, de uma Missa de Réquiem. Tratava-se do mordomo de um certo conde Franz von Walsegg, milionário habituado a comprar músicas que apresentava como suas; e que pretendia mandar cantar uma missa dos mortos por sua mulher, recém- falecida. Mas para Mozart, já perturbado pela doença, aquilo parecia um sinal do destino. Era para si mesmo que compunha aquela música fúnebre, que deixaria inacabada (a família escolheu Franz Süssmayr para terminá- la, pois fora quem o ajudara a anotar suas últimas idéias para a Lachrymosa, a 4 de dezembro, antes de entrar em coma).
Chovia torrencialmente sobre Viena, a 6 de dezembro de 1791, dia seguinte ao de sua morte. Os poucos amigos que levaram seu corpo ao cemitério entregaram-no, na porta, aos coveiros. Nunca se soube onde foram colocados seus restos mortais. Não há garantia alguma de que o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo seja realmente o dele. Um dos maiores gênios da humanidade e o maior gênio da música passou pela vida como um fulgurante cometa e desapareceu aparentemente sem deixar rastros.

Um abraço do Lord