14 de abril de 2011

O socialista que acusa Sócrates de afundar Portugal

Rómulo Machado é advogado e entrou no PS logo a seguir ao 25 de Abril.
É conhecido pela frontalidade
É o militante número 1052 do PS e entrou para o partido com apenas 15 anos, em Maio de 1974, mas foi o último congresso socialista que lhe deu visibilidade, depois de ter acusado José Sócrates de levar o país à bancarrota.

"Quando acabei ouvi alguns aplausos lá atrás, mas das filas da frente ouvi muitos assobios e muitos diziam: vai- -te embora", conta ao i Rómulo Machado, garantindo que nunca pensou receber "tantas mensagens a felicitar o discurso, até de alguns socialistas que pertencem à estrutura do partido".

Rómulo Machado é advogado e até há dois anos a sua intervenção limitava-se ao concelho de Cascais, onde fez parte do grupo que contestou José Luís Judas como presidente da câmara.

No congresso de Espinho, em 2009, foi eleito para a comissão nacional nas listas do grupo liderado por Fonseca Ferreira, Margem Esquerda, sendo um dos elementos da corrente de opinião esquerda socialista. Há quem lhe elogie a coragem, há quem pense que vai longe de mais.

A antiga secretária de Estado da Educação Ana Benavente elogia-lhe "a combatividade". "É uma pessoa muito frontal, que não precisa da política para viver e o que faz é com convicção", diz a ex-dirigente socialista e crítica da actual direcção.

Certo é que a frontalidade já lhe provocou dissabores, até entre os que se opõem à direcção de Sócrates, e Rómulo Machado não voltou a ser um dos escolhidos para representar a corrente de opinião Esquerda Socialista na comissão nacional. "O meu nome foi vetado. O que me era dito é que o que eu dizia era verdade, mas que não podia ser dito assim", relata o advogado de São João do Estoril, que acusa o PS de o ter posto a falar depois da meia-noite e quase no fim do congresso, quando a maioria dos congressistas estavam fora, para minimizar os estragos das críticas que fez a Sócrates.

Fonseca Ferreira começa por dizer que prefere não se pronunciar sobre as pesadas críticas feitas no discurso, mas admite que não se revê em algumas das afirmações feitas por Rómulo Machado. "Não é a linha de discurso que eu defendo." O empresário Henrique Neto, por outro lado, que também tem defendido a necessidade de uma nova liderança, elogia Rómulo Machado por "ser mais frontal do que a maioria das pessoas que estão na política". "Isso levou a que lhe começassem a cortar a palavra dentro do PS", diz o antigo deputado socialista.

Rómulo Machado afirma que foi um dos primeiros a inscrever-se para falar, na manhã de sábado, no congresso de Matosinhos, e dos últimos a ter a palavra. "Houve gente que se inscreveu depois e falou antes." Apesar de a sala estar quase vazia e de a intervenção ter sido feita depois da meia-noite, Rómulo Machado ficará na história dos congressos socialistas como o militante que mais duro foi com Sócrates.

Nas próximas eleições dificilmente o partido do qual é militante poderá contar com o seu voto. Questionado sobre se votará no PS nas legislativas antecipadas, Rómulo Machado diz que basta as pessoas olharem para a sua intervenção e para as posições que tem tomado. Já sobre o seu futuro dentro do PS, Machado revela que o que procura "não são cargos políticos, mas sim a acção". "Tenciono continuar a ter uma intervenção activa em movimentos ligados à defesa do ambiente, como tive até agora", diz o homem que acabou a sua intervenção com um "é tudo".

"Ouvi muitos assobios e muitos diziam: vai-te embora", diz o advogado de São João do Estoril.

Daqui

Se o PS tivesse mais Rómulos Machados,
não levavamos com as imbecilidades
desse meio engenheiro, vaidoso,
arrogante e mediocre
que nos arrastou para o abismo.


Sem comentários:

Enviar um comentário