16 de outubro de 2010

Sócrates é o meu herói!


NÓS ESTAMOS COMOVIDOS e eu vou-me sentindo cansado de tanto nos andarmos a atirar para o chão com o fato novo, todos os dias, sempre que o chefe do governo nos aparece pelas televisões a piscar-nos o olho. Já não tenho idade para isto!

Não me lembro de nenhum chefe do Governo que pensasse tanto no País e se sacrificasse tanto pela Pátria como este. Não houve nenhum primeiro–ministro que me quisesse tão bem e trabalhasse com tanto afinco para mim. Nenhum outro lutou tanto, tão encarniçadamente, para nos salvar a todos nós, como o actual. E nós como lhe pagamos!? Com a nossa ingratidão, acusando-o de nos ter metido na fossa séptica em que o nosso País se transformou.

Por isso venho aqui hoje, graças à hospitalidade desta revista, agradecer ao senhor presidente do conselho – como ele gostaria de ser tratado – tudo o que faz por nós. Só lhe encontro par no cinema, principalmente nos velhos e bons filmes a preto e branco, no tempo em que havia heróis que nós adorávamos ver em 9x4 metros, com intervalo para um cigarro e uma olhadela às madames das matinées.

Vimos milhares de vezes este número do chefe do Governo. Ele é que não sabe. Lembram-se certamente quando um dos bons dizia aos companheiros: "Vão! Eu fico a segurá-los aqui!” Então, quando este herói já estava ferido, era o máximo! E ali se sacrificava ele, a matar os maus enquanto os bons, entre eles a rapariga, fugiam para o forte!

Eu já vi este Sócrates a fazer isto no desfiladeiro a aguentar um exército de “Sioux”, de camuflado, a dar a fuga ao John Wayne dos cruéis comunistas amarelos, a matar alienígenas que nos invadiram e a destruir “robots” que se revoltaram. E sempre ele, firme até à última mentira, perdão, até à última bala! Sem se preocupar consigo, desprezando os riscos, expondo os seus, tudo para nos salvar!

Assim diz Sócrates estar a fazer para nos tirar da fossa. Finalmente empenhado num exercício de responsabilidade , não pensando em mais nada que não sejamos nós e o futuro da Pátria. Ele tombará no desfiladeiro atrasando os especuladores que nos perseguem e aquela rapariga do “saloon”, a Angela, que nos querem perder.

Generosa figura de Estado, a quem não importa perder as eleições seguintes, só a pensar na nossa salvação. A guardar para si a última bala, ou não abrindo mão duma granada para levar consigo muitos malvados, a defender-nos, a atrasar o inimigo enquanto nos dá a fuga!

E no futuro, quando o sol voltar a brilhar, recordaremos, reconhecidos, o nosso herói ou, pelo contrário, acharemos que ele ficou mal enterrado? Sabe-se lá se vai apresentar-se, trémulo, sujo e ensanguentado, depois do combate corpo a corpo com os vilões!? É bom não esquecermos que no cinema, quando julgamos tudo ter acabado, se ouve um gemido entre os escombros e um cão Labrador resgata o sacrificado herói que milagrosamente se salvou. A ideia é boa, mas neste caso não resultará. Mesmo assim, confesso que é disso que tenho medo.

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