18 de março de 2010

Esta rua é de Fidel



Imagens de ontem, em Havana

Poderia até parecer que estou desalinhado com o que é suposto gente de esquerda pensar. Não estou. Sou de esquerda porque estou sempre, estarei sempre, do lado dos oprimidos contra todas as formas de repressão. Porque a rua é do povo e ninguém é seu dono.

E quem com um pingo de decência pode hesitar ao ver estas imagens? Quando vejo as “damas de branco”, com uma coragem infinita, manifestarem-se pelos seus filhos e maridos presos por razões políticas, como as Mães da Praça de Maio fizeram durante tantos anos na Argentina exigindo saber onde estavam os resistentes, sei de que lado estou. Quando vejo cobardes a ajudarem a polícia do regime a arrastar estas mulheres sei de que lado nunca estarei. Quando vejo gente a gritar “esta rua é de Fidel” sei quem tem de ser derrubado: quem se julga dono da rua que só pode ser de todos. Nem de Fidel nem do seu irmão Raúl, que recebeu o poder como se de uma herança familiar se tratasse. De todos. Porque sou de esquerda, exactamente. E ainda que não fosse.

Sim, faço escolhas. Sim, tenho um lado. E nesse lado sabe-se que os opressores têm o cheiro inconfundível da cobardia. Seja qual for o regime que os protege. E sabe-se que a gente de coragem que resiste até às últimas forças é feita da mesma massa que todos os homens e mulheres que merecem, ainda que deles discordássemos, admiração e solidariedade. Seja qual for a ditadura que combatam, estas damas de branco são a minha gente.

Por Daniel Oliveira


1 comentário:

  1. E ainda ha idiotas que criticam o embargo Norte Americano e que defendem essa ditadura porca...

    ResponderEliminar