18 de fevereiro de 2010

A Máfia Socratina


A MÁFIA SOCRÁTICA



"Não falimos
por um milagre”

José Annio Saraiva, director do semanário Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.

Correio da Manhã – O Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?

José Annio Saraiva Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.

Que problemas?

Esvamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um toso. Esvamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito quenhamos no BCP foi interrompida.

Depois houve mais alguma pressão potica?

Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.

– Travou o necio?


Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos para deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz,ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.

– E as pressões acabaram?

Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.

Foi um processo longo...

Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: "Eno como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?"

Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira.


Na altura quem tinha o dossiê do ‘Solera o Armando Vara, e nós nhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.

Do primeiro-ministro?

Não temos vida. Aliás, neste processo Face Oculta’ deve haver conversas entre

alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.

Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?

Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare--se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Drio Ecomico’ quando foi comprado pela Ongoing

– houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e

Vara são bastante elucidativas sobre disso.

Os partidos reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posão?

Estou disponível para colaborar.





Será que não há ninguém em Portugal capaz de mandar

esta cáfila de corruptos e ladrões para o deserto,

para o fundo do oceano, para o inferno ou para a p.q.p.?







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