20 de junho de 2009

Sócrates e o seu "erro"


Nos tempos de Goebels e do império do nazi/fascismo, “investia-se” na cultura sacando o revólver. Nos tempos de Salazar, por cá, “investia-se” na cultura prendendo, torturando e assassinando alguns dos seus criadores. No tempo iluminado dos governos de Cavaco Silva, “investia-se” na cultura, por exemplo, mandando o pateta Sousa Lara “investir” contra José Saramago.

Ficamos agora a saber pela boca de José Sócrates, que o seu erro foi, talvez, investir pouco na cultura, o que me sugere alguns comentários.

É preciso uma bela dose de descaramento, descaramento humilde, claro, para descobrir, assim do nada, que ao fim de quatro anos de governação, “o erro” foi uma deficiente aposta na cultura... tudo o resto apenas uma lamentável deficiência de comunicação entre os génios governativos e o povoléu, que nunca entende os seus geniais governantes... e pensar que se safa com este argumento.

Conhecendo o estilo socrático e o dos seus mais próximos conselheiros, fico à espera de ver "o erro" maquilhado com dinheiro, dentro de muito pouco tempo, com duas ou três realizações culturais espaventosas que encherão o olho ao povo e os bolsos a alguns amigos... e fica “o erro” resolvido.

Por fim, não valia a pena ter assumido publicamente a sua falta de investimento na cultura. Basta ouvi-lo falar para ver que é pessoa que não investe muito na cultura, pelo menos desde os tempos da sua passagem pela Secundária Frei Heitor Pinto, da Covilhã, em finais dos anos sessenta do século passado.

de Samuel em "O cantigueiro"




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