A reacção, ontem, 24-6-2009, à tarde no inoportuno debate parlamentar, do CDS-PP e do Bloco de Esquerda e, à noite na entrevista na SIC, de Manuela Ferreira Leite, contra a intervenção do Governo na «linha editorial» da TVI, mediante a compra de 30% da Media Capital pela governamentalizada PT, e a própria inábil resposta sub-consciente de Sócrates, tornaram muito difícil esta manobra para o controlo da restante comunicação social de significado. Desalojar José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, que era o objectivo declarado profusamente nos media, tornou-se agora muito complicado com o teste de algodão de demonstração do motivo da manobra: se Moniz for demitido/substituído/rescindido/removido isso expõe o propósito do negócio socratino-bávico.
Convencido da viabilidade do negócio, após a reacção suave em 23-6-2009 (em que avultou o silêncio dos media e... demasiados blogues) à notícia-balão desse dia no «i», Sócrates deu ordem para o negócio avançar rapidamente, sonhando ainda com a ilusão de reverter o resultado das europeias em vitória tangente em Outubro. Porém, a reacção política cresceu a um nível inimaginável, as casas de investimento, até ligadas a accionistas de referência (como o BES) deram parecer negativo, e puseram em causa o prémio político de preço adicional pela compra por 150-200 milhões de euros de uma quota que vale cerca de metade, e movimentos da sociedade civil ameaçaram com providência cautelar para impedir o negócio. Fazendo eco dessas críticas insuportáveis, o presidente do Conselho de Administração, mais reservado do que o precipitado Zeinal Bava, veio tentar apagar o fogo aceso pela dupla Bava-Sócrates, declarando à Lusa, citada pelo «i» de hoje, 25-6-2009, contra a própria informação retardada da noite de 23-6-2009:«Toda esta turbulência não tem qualquer fundamentação. Se houvesse qualquer perspectiva de negócio com a Media Capital teria de ser resolvido no conselho de administração».
Por isso, Sócrates decide avançar para a quinta fase da guerra de eliminação da força de Moniz/Moura Guedes na TVI: a mandatada Prisa propor uma indemnização para que o casal saia do comando da informação da TVI. Para tanto titula CM de hoje, 25-4-2009: «Três milhões para tirar Moniz da TVI». A Prisa, para assegurar o prémio político de venda de uma quota no grupo pelo dobro do preço que vale, tem de despedir Moniz e desalojar Moura Guedes, antes da tomada do controlo pela PT. Pois, se fosse a nova administração, que resultasse da nova estrutura accionista, a fazê-lo todo o país diria que foi Sócrates, via PT, quem eliminou a linha editorial independente da TVI para a estação assumir (mais) uma postura alinhada com o Governo. O problema é que, se Moniz decidir não aceitar a indemnização, for demitido e contar as pressões que sofreu, Sócrates ficará,a na véspera das eleições, com a mais terrível nódoa de controlo da comunicação social naquela que é «pressão irresistível de controlar».
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