19 de junho de 2009

O dia da mosca

Há dias assim, em que os dois lados do oceano se dedicam, por coincidência, à mosca.

A diferenciar fica que o zoar de umas termina ali mesmo de patas para o ar com transmissão mundial de um grande plano do torféu e outras a produzir zumbido para embalar quem quer convencer de que não é com vinagre que elas se caçam.

Gostei de Obama. Gostei de o ver tentar enxotar o insecto como se enxota um boi e logo perceberMosca que teria de o eliminar para concluir aquilo que ali o tinha levado.

Já não gostei tanto do nosso animal feroz travestido com pele de cordeiro a deixar-se envolver pela suavidade do charme sensual como um gatinho, contaminado pelo ronrom de quem o hipnotizou. São coisas minhas, aceito, coisas que me incomodam desde o tempo de miúdo em que ia ao circo para ver um tigre feroz dar um rugido ao homem do chicote e me decepcionava com um domesticador doce a fazer festas no focinho do bicho para conseguir meter-lhe a cabeça na boca sem ser decepado.
LNT

Retirado daqui

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