5 de maio de 2009

"Estabilidade", dizem eles


A editora Afrontamento, a que estive ligado, nasceu sob a égide de uma epígrafe do personalista católico Emmanuel Mounier que constitui uma verdadeira consigna moral: "Quando a desordem se torna ordem, uma atitude se impõe: afrontamento".

Ocorreu-me essa epígrafe ouvindo o inenarrável dr. Vitalino Canas reclamar nova maioria absoluta do PS em nome da "estabilidade". Desemprego (9,1% este ano e 9.8% em 2010); défice galopante (6,5% este ano e 6,7% em 2010); "nós, europeus" vendo cada vez mais a Europa por um canudo; milhões de euros despejados em cima da crise (e nos bolsos dos mesmos de sempre) sem resultado; leis iníquas que apanham o peixe miúdo e deixam de fora a grande criminalidade económico-financeira; professores, estudantes, magistrados, polícias, enfermeiros, funcionários públicos, em pé de guerra; dois milhões de pobres; ricos cada vez mais ricos; escândalos sucessivos; e promessas, sempre mais promessas. Há-de haver gente desejosa de que as coisas se mantenham "estáveis" como se encontram. Resta saber se, para a maioria dos portugueses, se trata de estabilidade ou de instabilidade.


De Manuel António Pina


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