Hoje é inevitável que vos volte a falar da crise, porque o tema está na ordem do dia e desejo partilhar convosco mais um ponto de vista.
As crises económicas atingem prioritariamente e de forma drástica uma grande maioria das Pequenas e Médias Empresas, enquanto por vezes valoriza e serve de “alimento” aos grandes grupos económicos.
Muitos empresários estão à espera que a qualquer momento surja uma luz no fundo túnel, vinda dos mais poderosos, mesmo que isso apenas lhes sirva de alimento à esperança, enquanto não surgem melhores oportunidades. Actualmente, essa luz ao fundo túnel, poderia muito bem ser a consequência do lançamento de uma obra municipal ou, no caso do Algarve, uma participação nas obras de beneficiação da Estrada Nacional 125 anunciadas há anos, ou ainda, outras obras de conservação ou beneficiação de algumas infra-estruturas regionais, nas quais algumas empresas participariam e conseguiriam “respirar” por mais algum tempo.
Mas não!... Os dias passam, a esperança fica cada vez mais distante e os empresários não resistem, vendo-se obrigados a encerrar e a colocar o efectivo no desemprego.
Até as associações empresariais, que já antes sentiam algum aperto, estão agora em sérias dificuldades, ao verem desaparecer muitas das suas filiadas, donde provinha a sua já magra fonte de receita.
O cenário é muito cinzento e tende a escurecer cada vez mais. Contudo, há no País quem esteja a esfregar as mãos de satisfação, porque a situação corre a seu favor. É o caso dos grupos económicos, que nestas alturas aproveitam para crescer, pois escolhem precisamente os momentos de maior dificuldade das pequenas empresas que ainda conseguem resistir para as tentarem absorver. Tentam assim adquirir o maior número de negócios em decadência, por valores substancialmente abaixo da “quota” de mercado, como lhes convém, para melhor poderem dominar os mercados.
É o que está a acontecer no nosso país com pelo menos dois sectores e assim, a cada dia que passa, os pequenos ficam cada vez mais pequenos e esses grandes lobbys crescem a olhos vistos…
Surpresa é haver quem considere que estas transformações são normais e que são criadas pelas regras do mercado, o que eu até concordaria se as situações de fome e de miséria andassem mais à vista e não a esconderem-se tão envergonhadamente.
Fecho este meu espaço com a opinião de um economista, que há dois dias me comunicava a sua opinião: se a Quimonda fechar em Portugal haverá uma quebra de cerca de um terço nas exportações, causando então que a economia portuguesa chegue mesmo a bater no fundo.
José Mateus Moreno
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=92874
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