
Em Dezembro de 2008, havia no conjunto dos 27 países da União Europeia 17,911 milhões de desempregados. Em Novembro, havia menos 309 mil pessoas, o que nos pode levar a concluir que neste preciso momento já passamos a barreira dos 18 milhões em toda a União Europeia. E o número, inexoravelmente, subirá. Em Portugal, a população desempregada é pouco menos de meio milhão, precisamente 437,6 mil pessoas. Temos presentemente uma taxa de 7,6 % de desempregados, curiosamente melhor em duas décimas do que a previsão do Governo. Mas temos, é uma evidência, uma situação social que se degrada de dia para dia. Os que vivemos os conturbados tempos que se seguiram ao 25 de Abril não recordamos outro tempo em que o emprego, o fecho de fábricas, os salários por pagar fizessem tanta abertura de telejornal, fossem tantas vezes manchete nos jornais. O fim desta crise mundial não está à vista e mesmo que o estivesse, não é crível que a recuperação de empregos se faça à velocidade a que se vão perdendo agora.
O povo costuma dizer que por cada porta que se fecha se abre uma janela, mas a verdade é que não se vêem muitas frestas para ajudar a renovar esta economia apodrecida. Se a crise se prolongar por mais um ano e se o desemprego mantiver a actual progressão, chegaremos ao fim como se tivéssemos atravessado uma guerra. Só que esta "guerra" atinge todos, só terá vencidos, não vai haver vencedores magnânimos que possam financiar planos de ajuda internacional para recuperar os derrotados e os ajudar a sair da crise em que mergulharam. É por isso que, país a país, temos de arrepiar caminho e mudar muitos dos nossos procedimentos sob pena de, repetindo erros, prolongarmos a crise, adiarmos uma recuperação que, de qualquer forma será lenta e dolorosa. E diferente do que conhecemos. O comunismo morreu, o capitalismo adoeceu gravemente e o que quer que dele resulte terá de ser necessariamente diferente. Os economistas e os políticos não têm ainda a receita, mas é óbvio que o desenvolvimento futuro terá de ser sustentável. O problema é que, não sendo por agora previsível o fim da crise, não podemos também fazer já um relatório de danos. Eles são elevados e vão ainda subir muito. De um ponto de vista social, obviamente, mas também pode subir a níveis políticos, questionando a eficácia dos regimes democráticos. É que uma crise social profunda é sempre terreno fértil para os populismos que antecedem os totalitarismos.
Portugal, país dito de brandos costumes, poderá estar a caminho de uma das suas crises mais profundas. Em ano de eleições, muitas propostas estarão sobre a mesa. Oxalá os políticos sejam capazes de formular as mais correctas e os portugueses de mostrar a si próprios que trinta e tal anos de democracia nos deram ouvido suficiente para não nos deixarmos embalar por músicas encantatórias.
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