22 de fevereiro de 2009

Não mais Ronaldo, pelas almas!


Fugi da RTP e entrei na SIC, de onde saí imediatamente a correr para a TVI, mas logo tratei de escapar à pressa e passar para a SIC/Notícias, de onde tive de, a todo o pano, fazer uma retirada estratégica para um canal estrangeiro, onde NÃO me convidavam a sentir-me no sétimo céu por ser compatriota de Cristiano Ronaldo. É que, francamente, já não havia pachorra para escutar mais hinos à glória de ter BI nacional o melhor futebolista do Mundo.

Deve ser defeito meu, esse de me estar nas tintas para qualquer prémio que, com maior ou menor dose de engano, nos diz que somos os maiores nisto ou naquilo. Deve ser defeito meu, repito, pois a verdade é que uma enorme onda de orgulho deve ter percorrido Portugal inteiro, de tal modo que mesmo o gabinete do presidente da República e o gabinete do primeiro-ministro se apressaram a enviar mensagens de congratulação à mais recente glória verde-rubra.

Afinal, devia estar orgulhoso porquê? Ter o melhor futebolista significa ter a melhor equipa nacional? Nem de perto nem de longe! Os prémios individuais deixam-me indiferente. Não é por termos um Nobel da Literatura que me envaideço, prefiro pensar na miríade de escritores que, por vezes quase no anonimato, vão contribuindo para que a literatura portuguesa permaneça viva e seja uma realidade tão digna e tão valiosa como a de outros países "melhores" do que nós.

Vivi num tempo em que as grandes referências portuguesas no estrangeiro eram um futebolista e uma fadista. Talvez por isso fique agora indiferente quando vejo a situação repetir-se, com a FIFA a coroar Ronaldo ou os média a regozijar com os êxitos internacionais de Mariza. Não ficaria indiferente se Portugal recebesse prémios por ter um melhor nível de vida ou um mais baixo índice de iliteracia, um sistema de saúde digno desse nome ou menor desequilíbrio entre ricos e pobres. Como, decerto, isso nunca acontecerá, resigno-me. Mas ao menos não tentem compensar a minha frustração com glórias efémeras como essa de, em 2008, ser um português o melhor a dar pontapés numa bola! Se pensavam que assim me distraíam da crise, estão muito enganados!

JN 20.01.2009

Felizmente há quem não vá em futebois.



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